OS ACABAMENTOS ENVERNIZADOS
O envernizamento de pavimentos de madeira é, sem dúvida, o tipo de acabamento actualmente mais utilizado, substituindo, na maioria dos casos, o tradicional enceramento.
Os vernizes destinados a pavimentos devem possuir características especiais que lhe permitam suportar as solicitações a que serão submetidos, nomeadamente resistência à abrasão e ao risco. São, por isso, vernizes com características diferentes dos destinados a outras aplicações, nomeadamente em mobiliário e madeira estrutural.

A produção de bons vernizes para pavimentos exige, naturalmente, que se disponha de experiência e tecnologia que garantam produtos de elevada qualidade.

Destinados a pavimentos, encontram-se no mercado muitos tipos e marcas de vernizes com preços muito variados, consoante a sua qualidade. Ainda que o preço não seja, só por si, um indicador de qualidade, é, contudo natural que constitua uma referência a considerar em conjunto com o reconhecimento de qualidade que a experiência lhe confere.

A disponibilidade de produtos de manutenção compatíveis e de qualidade que permitam manter o bom aspecto do envernizamento durante muito tempo, é outro aspecto a considerar na selecção dos vernizes a aplicar.

A PREPARAÇÃO DA MADEIRA

Antes da aplicação do verniz, há que proceder à conveniente preparação da madeira com abrasivos de qualidade:

Trabalhar com a máquina no sentido das fibras da madeira;
Primeira passagem com lixa de grão grosso (24/30/36) para aplainar;
Segunda passagem com lixa de grão médio (50/80) para afinar;
Acabamento com lixa de grão fino (100/120). Não esquecer a preparação de bordos e de cantos, utilizando máquina de cantos e raspador;
Remover cuidadosamente o pó em todo o compartimento, antes da aplicação do verniz. A existência de poeiras, mesmo aéreas, afectará o aspecto final do envernizamento.

A preparação da madeira para envernizamento exige experiência sem a qual os resultados são maus, seja porque a base não fica perfeitamente plana, seja porque fica com rugosidade excessiva. A qualidade dos abrasivos é muito importante.

OS VERNIZES

Os vernizes mais utilizados são, ainda, os de base poliuretana, ainda que os vernizes de base aquosa, por vezes chamados de ecológicos, possuam já o seu mercado.
Consoante a sua função, os vernizes dividem-se em dois grupos: vernizes de fundo ou tapa-poros e vernizes de cobertura ou de acabamento.

Vernizes de fundo
Os vernizes de fundo, também por vezes designados por “tapa-poros” são destinados à primeira demão após a preparação da madeira. Devem ser compatíveis com os vernizes de cobertura a utilizar, bem como devem possuir características de dureza que não comprometam o resultado final.

Vernizes de cobertura
Os vernizes de cobertura podem ser mais ou menos duros, mais ou menos brilhantes, consoante a utilização e o gosto em cada caso. De um modo genérico, os vernizes designam-se por brilhantes, de meio brilho ou mate.

Os vernizes podem ser monocomponentes, isto é, sem necessidade de preparação antes da aplicação ou bicomponentes que resultam da mistura, em proporções pré-estabelecidas e variáveis com o tipo do verniz e do respectivo endurecedor. A mistura deve ser feita cuidadosamente, agitando os componentes antes e depois de misturados, sendo esta uma operação que requer muita atenção para evitar erros que comprometam os resultados.

O ACABAMENTO ENVERNIZADO DOS PAVIMENTOS DE MADEIRA

Depois de aplicada e afagada a madeira, procede-se ao acabamento começando pelo preenchimento das juntas com um betume, após o que se procede ao envernizamento.

Betumagem

Na betumagem é, por via de regra, utilizada uma mistura de cola com farinha de madeira que tem o grave inconveniente de endurecer e fissurar. Por tal razão se recomenda que o “betume” seja preparado com um ligante com características plásticas, em vez de cola, que permita manter a elasticidade, não reflua e seja durável. Por isso se recomenda a utilização de “Ligante Base Mastique”. Nesta técnica o betume resulta da adição de 20% a 50% de farinha de madeira ao ligante, consoante se deseje menos ou mais espesso. Aplicar com espátula depois do afagamento, fazendo a lixagem de acabamento 20 a 30 minutos depois. Nunca aplicar com temperaturas inferiores a 12ºC.

Aplicação do verniz

Os vernizes são aplicados por camadas ou demãos no que devem ser respeitadas as indicações do fabricante. Em todo o caso há regras básicas que devem ser seguidas, tais como o modo de aplicação, a uniformidade da aplicação, quantidades por demão, os tempos de secagem e os intervalos de tempo entre demãos.

Os vernizes tem composições diversas das quais podem resultar incompatibilidades entre vernizes de origens diferentes, ao que é necessário prestar atenção.

Para além da mistura do verniz com o respectivo endurecedor, no caso dos vernizes bicomponentes, e, em casos de aplicação com temperaturas muito elevadas, de retardador recomendado, na preparação de vernizes não devem ser adicionados quaisquer outros produtos porque lhe retiram qualidade, nomeadamente diluentes. Isto é válido mesmo quando se trate de produtos para dar tons, as velaturas, os quais devem ser cuidadosamente seleccionados e utilizados nas quantidades recomendadas.

As características da madeira são importantes de considerar no modo de aplicação e no número de demãos a incluir no acabamento. De um modo geral recomenda-se:

Aplicar uma demão de verniz de fundo, geralmente designado por “tapa-poros”, o qual deve possuir boas características e ser compatível com o verniz de cobertura a utilizar;
Aplicar duas demãos de verniz de cobertura, com os intervalos de tempo recomendados.

Após a aplicação do verniz de fundo e de, pelo menos, a primeira demão de verniz de cobertura, torna-se necessário passar uma “abrasiva” para desfazer a rugosidade do embebimento das fibras da madeira. A capacidade autonivelante do verniz é importante para garantia de uniformidade e de brilho.

UTILIZAÇÃO DE PAVIMENTOS ENVERNIZADOS

Após a aplicação, o verniz deve secar e endurecer. Embora seque ao fim de poucas horas, o endurecimento do verniz processa-se ao longo de um periodo de tempo que vai até cerca de 10 dias. Em consequência, devem ser tidos cuidados de utilização, sendo possível uma utilização leve e cuidadosa ao fim de 3 dias.
Na utilização deve ter-se em conta que mesmo os vernizes mais duros podem ser riscados por objectos pontiagudos e duros, os quais podem, igualmente, vincar a madeira envernizada. Os riscos poderão ser disfarçados pela aplicação de produtos de restauro. Porém, os vincos na madeira apenas poderão ser anulados através da lixagem desta.

 

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